Blog da Renata


Sensação de Clarice

Porque você escreve ? 

 

Vou lhe responder com outra pergunta:

 

Porque você bebe água? 

 

Por que bebo água? Porque tenho sede.

 

Quer dizer que você bebe água para não morrer. Pois eu também: escrevo para me manter viva.

 

Assim começa uma entrevista de Clarice Lispector ,  nos dia de hoje unanimidade , sinônimo de

 

escritora talentosa , famosa e um tanto misteriosa , ela mesma dizia que nunca saberia explicar

 

de onde surgiram as palavras por ela usada .

 

Curiosamente quando ainda menina já escrevia historinhas, que não eram publicadas , pois algo

 

lhes parecia estranho pois não retratavam fatos ou  enredos , mas as  sensações ,  como  suas

 

próprias palavras , era uma  sentidora e não escritora .

 

O que me atraí muito a o que ela escreveu sempre foi a  consciência que retratava em suas

 

personagens, e em sua vida , o que me lembra as palavras do filósofo Nietzsche " Torna te

 

quem tu és ", o que pede movimento , enfrentar se .

 

E para mim , ela estava sempre lutando ,se enfrentando para tornar se Clarice ,   escritora ,

 

mulher , mãe , o que  nem sempre a incomunicabilidade humana a deixava expressar como

 

realmente sentia .  



Escrito por rpitaguari às 22h17
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Seu primeiro romance publicado perto do coração selvagem , foi notavelmente um impacto ,

 

pois sua narrativa original e inovadora , atraiu a atenção da crítica , e sua inteligência ,técnica

 

unidas à sensiblidade resultou na premiação da Fundação Graça Aranha  .

 

Viveu muitos anos fora do Brasil por acompanhar seu marido que era diplomata ,  porém os

 

seus romances , contos e até cartas enviadas aos amigos , que mais tarde se tornariam obras 

 

publicadas , continuaram , em 1959 separa se e volta ao Brasil , passa por momentos difíceis e

sofre um terrível acidente, um incêndio em sua casa  quase a faz perder a mão direita quer por 

pouco não foi  amputada , e apesar das cicatrizes  profundas , consegue superar e continuou a

expressar suas sensações em palavras  escritas  .

 

Em umas de suas últimas obras um sopro de vida (pulsações) , pouco antes de falecer de

 

câncer  , ela marca com outro tipo de emoção e sensação , a angústia de estar próxima

 

de sua  morte , mas consciente :

 

Se me perguntarem se existe vida além da morte... respondo num hesitante esquema:

 

 existe mas não é dado saber de que forma essa alma viverá... Vida, vida recoberta em

 

um véu de melancolia.

 

Morte: farol que me guia em rumo certo. Sinto-me magnífico e solitário entre a vida

e a morte".

  

Porém prefiro terminar esse texto com as doces palavras do poeta Carlos Drumont de Andrade

O que Clarice disse, o que Clarice
viveu por nós em forma de história
em forma de sonho de história
em forma de sonho de sonho de história
(no meio havia uma barata ou um anjo?)
não sabemos repetir nem inventar.
São coisas, são jóias particulares de Clarice
que usamos de empréstimo, ela dona de tudo.

 

 



Escrito por rpitaguari às 22h15
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