Devo dizer que as paixões me fascinam , pois são forças transformadoras de mundo , quebram paradigmas , fortalecem as pessoas , que destemidamente enfrentam seus maiores medos e desafios , acreditam em seus sonhos impossíveis e nos casos mais improváveis .
Mas não me refiro a paixão egoísta , que só visa nosso prazer material ou sensual , mas a paixão por ideais.
Alguns ícones da história , representaram singularmente tal sentimento , Martin Luther King é um deles , negro americano , nascido em 1929 na Geórgia , pacifista e ativista político , lutou a favor dos direitos civis , viveu em uma época em que o preconceito racial era tão absurdo , que uma mulher negra , Rosa Parks , que recusou a ceder o seu lugar a uma passageira branca em transporte público, foi presa .
Luther King defendeu o movimento contra o ato de discriminação , foi ameaçado , sua casa bombardeada , e ele continuou a defender os direitos dos negros , mesmo sendo perseguido e preso várias vezes , a não-violência foi sua escolha para demonstrar resistência , e assim foi reconhecido em 1964 , como ganhador do prêmio Nobel da Paz.
Seu discurso mais famoso , que até hoje inspira esperança , começa assim : I have dreams ...
"Eu tenho um sonho que um dia esta nação se erguerá e viverá o verdadeiro significado de seus princípios:
'Nós acreditamos que esta verdade seja evidente, que todos os homens são criados iguais.'
... Eu tenho um sonho que um dia minhas quatro crianças viverão em uma nação onde não serão julgadas pela cor de sua pele, mas sim pelo conteúdo de seu caráter."
A paixão por seus ideais de justiça , paz e liberdade , foi o que fez a diferença em sua vida , findada em 4 de abril de 1968, assassinado por um homem branco , em Memphis, Tenessee .
Ele disseminou a fé e coragem para os muitos que nasceram e cresceram em meio a tanto preconceito e se deparavam com uma verdade que lhes parecia irrefutável , a cor da sua pele determinava seu destino, mas King , a refutou .
Leonardo Boff , também pode ser considerado um apaixonado por seus ideais , teólogo brasileiro , filosofo , escritor , professor , defensor dos direitos humanos , nos anos 70 , ainda frade franciscano foi expoente da Teologia da Libertação , movimento da Igreja Católica latino-americana que buscava aproximar a ação social e política de esquerda aos atos de caridade da Igreja.
"Não é só o pobre econômico que merece nossa atenção, mas também o pobre ético, as minorias discriminadas, e esse grande pobre que é o planeta Terra. A humanidade precisa de uma libertação mais ampla, que inclua a dimensão espiritual", disse Boff .
Mas a Igreja não concordou , foi convocado várias vezes pelo Vaticano para prestar esclarecimentos e em 1984 , foi julgado por Joseph Ratzinger, hoje papa Bento XVI , em razão de suas teses ligadas à Teologia da Libertação , apresentadas no livro "Igreja: Carisma e Poder", foi submetido a um processo pela Sagrada Congregação para a Defesa da Fé , condenado a um voto de silêncio de onze meses e deposto de todas as suas funções.
Rompeu oficialmente com a estrutura formal da Igreja Católica em março de 1992 , em 8 de Dezembro de 2001 , foi agraciado com o prêmio Right Livelihood Award , um tipo de Nobel alternativo em Estocolmo , vinculados aos direitos humanos e à causa dos oprimidos, publicou mais de 60 livros , hoje um dos mais respeitados autores em ecologia .
Boff e Luter King , ambos teólogos , apaixonados por seus ideais , corajosos e reconhecidos por um bravo espírito , enfrentaram preconceitos e pior , um mundo onde pessoas são pensantes , mas ignoram os pensamentos mais importantes , e o ser julgante , condena o ser pensante , um mundo de poucas paixões e muitas desilusões .
"Hoje nos encontramos numa fase nova na humanidade. Todos estamos regressando à Casa Comum, à Terra: os povos, as sociedades, as culturas e as religiões. Todos trocamos experiências e valores. Todos nos enriquecemos e nos completamos mutuamente. (...)
Leonardo Boff ,Salamandra, Rio de Janeiro, 2001. pg 09
Ah o ano novo traz uma leve sensação , uma certa alegria ,o que poderia definir como um singelo frenezi coletivo que
cultua o novo início , não é a toa que alguns dicionários definem ano novo como ano-bom , pelo menos é o que a maioria
espera .
O ano chega ,não só com roupas brancas , fogos de artíficio e champagne , mas com sentimento de otimismo e esperança ,
sabemos em termos práticos que ao badalar da meia noite do dia 31 para o dia primeiro , nenhum fato mágico ou efeito
especial , mudará algo em nossas vidas , mas a idéia de um recomeço faz as pessoas acreditarem em um ano melhor , é a
chance de fazer as pazes com os erros que agora pertencem ao passado, o novo veio perdoar , o que velho condenou.
Foi , Júlio César, governador romano , que decretou 1° de janeiro como dia de ano novo em 46 antes de Cristo , isso devido
a dedicação romana à Jano, deus dos portões e foi assim que se originou uma das datas mais comemoradas ao redor do mundo .
O Réveillon, é uma palavra oriunda do verbo réveiller, que em francês significa "despertar", e na língua portuguesa significa " fazer nascer " , ou seja sugere movimento , ação .
Mas com o passar do dias e do mês de janeiro, a euforia passa e todos voltam ao seu ritmo normal ,
mas creio que reste um pouco de esperança e determinação em mudar as coisas , em fazer melhor do
que no ano passado.
O sábio Drumont , homem de tantas palavras e práticas , acreditava que todas essas mudanças tão
esperadas para o novo ano dependem de nós mesmos , e deu uma receita que
os convida ao despertar
Não precisa fazer lista de boas intenções para arquivá-las na gaveta. Não precisa chorar arrependido pelas besteiras consumidas nem parvamente acreditar que por decreto de esperança a partir de janeiro as coisas mudem e seja tudo claridade, recompensa, justiça entre os homens e as nações, liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, direitos respeitados, começando pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.
Esta época do ano fico um pouco sentimental , mas não é a Dezembrite que causa isso , são as lembranças
especiais , que coincidem com esse mês que finda o ano .
Vou tentar reorganizar as idéias e descrever em palavras as sensações que essas lembraças trazem , desde
o começo , o primeiro ao último olhar , me perdoe se não o fizer bem , creio que certas coisas não são
traduzidas em simples ou compostas palavras .
Sim , existem pessoas com quem criamos laços de amizade e admiração e existe uma única com quem
criamos algo singular , um laço entre almas , um código pessoal , é como letra e música que juntas formam
uma canção , eu fui letra .
Começou com um engano , lembro da cidade a noite toda iluminada e em movimento , as estrelas , aquela
avenida , um olhar e mais tarde um beijo , eu não sei te explicar .
Mas eu tive a certeza .
Um sorriso era pouco se faziam em cem , o mais doce olhar que meus olhos já viram , os pequenos
detalhes , gestos tão seus , que por alguma bogagem nunca revelei o quanto eram importantes para mim , e
agora deixo o registro através das teclas do meu computador .
A voz , sim me lembro bem como chamava pelo meu nome , só a sua voz tornava o som do meu nome mais
bonito .
O nosso humor tinha sintonia mesmo nas horas mais improváveis .
Embora o tempo imparcial e inflexível já tenha apagado algumas linhas que contornavam o seu rosto na minha
mémoria , me esforço para não perdê-las totalmente .
Mas as canções ficam , e eu queria a nossa canção , uma bem piegas e mélodica , cheia das nossas saudades ,
e olhares felizes , com seus cem sorrisos , e com cada oscilação do timbre da sua voz , com o seu jeito de
menino , com sua bondade e generosidade , com nossos dias e noites perfeitas , e quando alguém a ouvir , poderá sentir a paz e a nossa imensa alma .
Essa canção É o meu melhor presente .
Mágoas capítulos a parte , nunca fizeram que o brilho do meu amor diminuísse , e eu nunca deixei de acreditar
que tudo seria superado , mesmo quando tudo denunciava o contrário .
Terminou com um engano , lembro da cidade movimentada , era dia fazia sol , a avenida ao longe , o olhar e mais tarde um beijo , eu não sei te explicar .
Mas eu tinha a dúvida.
Sentimos medo .
Eu , eu quis dizer tanto , mas o tempo foi mais rápido .
Diz uma teoria que quando não se encontra uma solução , devemos voltar ao início , lá estara a resposta .
Quero escrever o borrão vermelho de sangue com as gotas e coágulos pingando de dentro para dentro.
Quero escrever amarelo-ouro com raios de translucidez. Que não me entendam pouco-se-me-dá. Nada tenho a perder. Jogo tudo na violência que sempre me povoou, o grito áspero e agudo e prolongado, o grito que eu, por falso respeito humano, não dei.
Mas aqui vai o meu berro me rasgando as profundas entranhas de onde brota o estertor ambicionado. Quero abarcar o mundo com o terremoto causado pelo grito. O clímax de minha vida será a morte.
Quero escrever noções sem o uso abusivo da palavra.
Só me resta ficar nua: nada tenho mais a perder.
Clarice Lispector
(1920-1977)
Quem sensação lhe causa ?
O grito que não gritamos , a palavra que não dizemos ,
o final que não enfrentamos , a angústia que disfarçamos ,
o sorriso sem alegrias , e as lágrimas não derramadas ?
Para que lutar contra o que nos torna humanos , e para que
fugir do que já está em nós .
A insistência em querer ser o que não é , em mostrar a dor que
não sentimos , o amor que não vivemos .
Os berros de quem não quer se ouvir é o que nos faz calar .
Renuncio às palavras e às explicações. Ando pelos contornos, onde todos os significados são sutis, são mortais.
Não quero perder o momento belo. Quero vivê-lo mais, com a intensidade que exige a vida: desgarramento e fulguração.
Então me corto ao meio e me solto de mim: a que se prende e a que voa, a que vive e a que se inventa. Duplo coração: a que se contempla e a que nunca se entende, a que viaja sem saber se chega - mas não desiste jamais.
Não desmerecendo os grandes escritores e suas obras , percebo minha preferência e maior identidade por
escritoras , ao ler minhas queridas Clarice Lispector e Hilda Hist uma emoção totalmente diferente me toma ,
as leio com o coração e não com a razão , parece que estou entre amigas .
É sútil a sensação de familiaridade feminina que eu sinto , as nossas emoções são diferentes e ponto , não
é raro depararmos em situações que fica claro que a alma feminina é quase uma religião , uma divindade e
quando algum homem diz que somos complicadas na verdade somos sentidoras demais ,vemos o mundo com
outras lentes .
Também existem os nossos estrôgenios , o sexto sentido e ainda o poder da criação , levar a vida a viver ,
Não é assustador ?
Toda essa intensidade em emoções produz uma fome , o querer infinito , uma doce ansiedade o ser mulher.
Então em tempos que minhas emoções andam aos pulos de ansiedade e ligeira melancolia , eu procuro sentir
ainda mais a emoção em cada palavra feminina .
Horas rubras
Horas profundas, lentas e caladas Feitas de beijos sensuais e ardentes, De noites de volúpia, noites quentes Onde há risos de virgens desmaiadas…
Ouço as olaias rindo desgrenhadas… Tombam astros em fogo, astros dementes. E do luar os beijos languescentes São pedaços de prata p’las estradas…
Os meus lábios são brancos como lagos… Os meus braços são leves como afagos, Vestiu-os o luar de sedas puras…
Sou chama e neve branca misteriosa… E sou talvez, na noite voluptuosa, Ó meu Poeta, o beijo que procuras!
Florbela Espanca
Fragmentos
Muros castos e tristes Cativos de si mesmos Como criaturas que envelhecem Sem conhecer a boca De homens e mulheres. Muros Escuros, tímidos: Escorpiões de seda No acanhado da pedra. Há alturas soberbas Danosas, se tocadas. Como a tua própria boca, amor, Quando me toca...
Não vejo mais você faz tanto tempo Que vontade que eu sinto De olhar em seus olhos, ganhar seus abraços É verdade, eu não minto
E nesse desespero em que me vejo Já cheguei a tal ponto De me trocar diversas vezes por você Só pra ver se te encontro
Você bem que podia perdoar E só mais uma vez me aceitar Prometo agora vou fazer por onde nunca mais perdê-la
Agora, que faço eu da vida sem você? Você não me ensinou a te esquecer Você só me ensinou a te querer E te querendo eu vou tentando te encontrar Vou me perdendo Buscando em outros braços seus abraços Perdido no vazio de outros passos Do abismo em que você se retirou E me atirou e me deixou aqui sozinho
Agora, que faço eu da vida sem você? Você não me ensinou a te esquecer Você só me ensinou a te querer e te querendo eu vou tentando me encontrar
E nesse desepero em que me vejo já cheguei a tal ponto de me trocar diversas vezes por você só pra ver se te encontro
Você bem que podia perdoar E só mais uma vez me aceitar Prometo agora vou fazer por onde nunca mais perdê-la
Agora, que faço eu da vida sem você? Você não me ensinou a te esquecer Você só me ensinou a te querer E te querendo eu vou tentando te encontrar Vou me perdendo Buscando em outros braços seus abraços Perdido no vazio de outros passos Do abismo em que você se retirou E me atirou e me deixou aqui sozinho
Agora, que faço eu da vida sem você? Você não me ensinou a te esquecer Você só me ensinou a te querer e te querendo eu vou tentando te encontrar Vou me perdendo Buscando em outros braços seus abraços Perdido no vazio de outros passos Do abismo em que você se retirou E me atirou e me deixou aqui sozinho
Agora, que faço eu da vida sem você? Você não me ensinou a te esquecer